Resultados da orgonoterapia experimental em humanos com câncer

Este é um post que decidi fazer para facilitar a leitura de um trecho do livro “A Biopatia do Câncer” de Wilhelm Reich que considero muito importante para aquelas pessoas que desejam conhecer o que é o tratamento com o acumulador de orgone, quais os benefícios, os cuidados e o que é possível esperar de resultados ao se utilizar as irradiações de orgone.

Minha intenção é ajudar aqueles que buscam se beneficiar do uso dos acumuladores de orgone sem necessariamente entender toda a linha de raciocínio que levou Reich a descoberta das propriedades desta energia e ao desenvolvimento deste aparelho.

Visto que o livro tem um conteúdo bastante técnico, optei por publicar este trecho do livro que trata de forma bastante objetiva sobre as reflexões que Reich fez sobre a utilização do acumulador de orgone em seres humanos.

O texto foi digitalizado utilizando um scanner e um programa de reconhecimento de caracteres. Fiz uma pequena revisão, mas peço desculpas caso haja ainda algum erro de ortografia. Mantive a numeração das páginas para facilitar possíveis consultas.

A ficha técnica do livro está no final do post. Desejo uma ótima leitura!

Capítulo VIII

Resultados da orgonoterapia experimental em humanos com câncer

1. LUMINÂNCIA* CELULAR ORGONÓTICA: O EFEITO DO ACUMULADOR DE ORGONE E O FATOR TERAPÊUTICO

O leitor não familiarizado com os experimentos de orgonoterapia pode ver a proposição do valor terapêutico do acumulador de energia orgone com descrença. Parece implausível que se possa extrair qualquer efeito benéfico do ato de sentar-se em uma cabina nada impressionante, simplesmente construída com a parte externa de material orgânico e as paredes internas de metal, projetadas para absorver energia orgone do ar. Parece até mais inacreditável quando a pessoa se dá conta de que o acumulador não contém componentes sofisticados, fiação, controles ou motores. Não só isso, mas de que a energia orgone, que se descobriu afetar de maneira tão significativa a biopatia de encolhimento, não precisa ser comprada. O Instituto Orgone¹ tem procurado evitar qualquer especulação

* Luminância (lumination) é um termo criado por Reich para designar o fenômeno de a energia orgone, em determinadas condições, emitir luz. (Ver O Éter, Deus e o Diabo, de Wilhelm Reich, São Paulo: Martins Fontes, especialmente o capítulo VI, item 5.) [N. do R.T.]

1. Instituto Orgone não foi uma organização, mas simplesmente o nome sob o qual Reich realizou seu trabalho. Ele cessou sua existência quando da morte de Reich, em 1957.

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financeira na aplicação dessa energia. A incredulidade que se pode esperar como resposta à simplicidade do dispositivo e seu uso terá de ser enfrentada com uma documentação cuidadosa.

O fato de que a energia orgone atmosférica fica concentrada dentro do acumulador de orgone se demonstra pelos efeitos físicos e biológicos que ele exerce; porém não é assim que se explica seu efeito terapêutico sobre o organismo vivo. Procuraremos obter uma imagem mais clara deste fenômeno no presente capítulo.

Não se sabia muita coisa, na verdade, sobre a natureza da energia orgone quando de nossos experimentos iniciais sobre seus efeitos terapêuticos, no começo de 1941. É claro que ela havia se tornado visível e já se descobrira a existência de diferenças na temperatura e na descarga eletroscópica, mesmo que não tivessem ainda sido completamente compreendidas. O fato da concentração da energia orgone estava, portanto, estabelecido, mas o mecanismo de seu efeito terapêutico permanecia sem explicação. Nossa hipótese de trabalho na época era de que o orgone concentrado no acumulador penetrava o corpo nu e, nessa medida, carregava o sangue e os tecidos biologicamente. Porém, nos dois anos seguintes, foram feitas muitas observações que ofereceram uma explicação diferente e melhor.

Na pesquisa científica, fatos isolados não têm importância. Por conseguinte, há uma tendência para adornar fatos sem relação entre si com nomes, como na teoria da “eletricidade estática”, e daí acreditar, erroneamente, que eles foram compreendidos. As pessoas encontram uma “interpretação” para cada um desses fatos, sem oferecer qualquer contexto global em que se possam ver suas verdadeiras correlações. É diferente quando a congruência de muitos fatos leva espontaneamente para um só conceito inescapável, indispensável, e agrupa as muitas descobertas diversas em uma unidade funcional. Se esse único conceito não só elucida a conexão funcional dos fatos, mas também torna desnecessárias uma variedade de interpretações, explicações e assim por diante, e se, além disso, ele desvenda novos fatos, então a teoria pode ser considerada satisfatória.

Embora muitos assim chamados pragmáticos considerem a postulação de teorias um “luxo filosófico”, é na verdade uma ferramenta

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científica comparável ao ordenamento dos instrumentos a serem utilizados em uma operação cirúrgica. O arranjo dos instrumentos é apenas tão pertinente ao resultado da operação quanto o é cada instrumento em si. O melhor cirurgião do mundo dificilmente poderia realizar uma operação bem-sucedida se ele devesse procurar pela sala de cirurgia por cada instrumento que precisasse. Exatamente como há uma melhoria no modo como se arranjam as ferramentas, há, na formação de teorias, uma melhoria progressiva no modo como se arranjam os fatos. Portanto, as teorias nunca podem formar um sistema perfeito e sempre permanecerão incompletas e precisando de melhoramentos. Esse princípio também se aplica ao seguinte relato do efeito terapêutico da energia orgone acumulada.

Nossa hipótese inicial de que a energia orgone no acumulador simplesmente penetra o organismo deixou alguns fatos sem explicação. Alguns pacientes reagiram imediatamente à radiação orgone, enquanto outros precisavam repetir a exposição para sentir algum efeito. Se o efeito dependia simplesmente de uma penetração mecânica, então todo organismo deveria reagir da mesma forma. Como as reações não eram as mesmas, era preciso uma explicação.

Presumimos que o organismo é penetrado pela energia orgone, enquanto ele mesmo permanece passivo e não envolvido, como acontece durante a irradiação com raios X ou rádio. Esses dois tratamentos por radiação envolvem a aplicação de uma energia que é não-biológica por natureza, isto é, uma energia basicamente estranha ao corpo, porque o organismo não emite nem raios X, nem raios de rádio. A energia orgone atmosférica, todavia, é uma energia orgânica, especificamente biológica. Ela é constantemente absorvida pelo organismo diretamente do ar e do sol, pela pele e pela ventilação pulmonar. O organismo contém, portanto, energia orgone em todas as suas células e fluidos corporais, e a irradia constantemente. Quando o organismo está no acumulador, dois sistemas orgonóticos se juntam em uma relação funcional. Sabemos isto hoje; não o sabíamos em 1941. Para compreender a relação funcional entre dois sistemas orgonóticos, é necessário voltar ao meu relato anterior sobre as observações de bíons (vesículas de energia orgone) (ver Capítulo II).

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Como sabemos, um eritrócito e um bíon de terra formam um sistema orgonótico auto-suficiente. Os constituintes de tal sistema, vistos biofisicamente, são um núcleo bioenergético, uma periferia plasmática e um campo de energia orgone ao redor do organismo. Na forma de um diagrama, se pareceria com isto:

Figura 24. Apresentação esquemática do “sistema orgonótico” vital

Se dois sistemas orgonóticos se aproximam um do outro, um contato se estabelece entre seus campos de energia, resultando em excitação e atração mútuas. Essa reação se evidencia pelo fato de eles se aproximarem um do outro. Os eritrócitos se agrupam ao redor do mais pesado e, portanto, menos móvel bíon de terra. Quando os eritrócitos estão suficientemente próximos, forma-se uma ponte de energia orgone altamente refrátil. Os núcleos biológicos dos dois sistemas orgonóticos começam então a irradiar com mais força, um fenômeno que chamamos “luminância orgonótica”. É o mesmo fe nômeno observado pela biologia tradicional na divisão celular, refe

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rido como “radiação mitogênica”. Todos os processos bioenergéticos fundamentais, tais como a excitação sexual, o orgasmo, a fusão celular e a divisão celular se fazem acompanhar por um alto grau de excitação bioenergética, isto é, por luminância orgonótica. Na matéria viva descarregam-se quantidades substanciais desta energia durante este processo. O “contato sexual” entre dois organismos vivos empenhando-se na direção do ato sexual representa, em termos da física orgone, este mesmo processo da formação de uma ponte de orgone e luminância orgonótica entre os dois corpos (sistemas orgonóticos). Muitos biólogos (Burr, dentre eles) demonstraram a existência de um campo de energia ao redor de células vivas e organismos multicelulares, fora da fronteira material do próprio organismo. É considerado um campo de energia eletromagnética. Contudo, na física orgone, sustentamos que esse campo de energia ao redor do organismo nada tem a ver com eletromagnetismo e é, na realidade, um campo de energia orgone, isto é, um campo de energia biológica específica. Ele funciona a distância, sem precisar de contato material entre as superfícies corporais dos organismos.

Meus próprios experimentos com o oscilógrafo e o medidor de campo de energia orgone recentemente construído demonstraram não somente que existe esse campo de energia, mas também que sua área de irradiação varia consideravelmente de indivíduo para indivíduo, podendo ser tão pequeno como alguns centímetros ou chegando até quatro metros (de acordo com as observações feitas até agora). Ele também varia em cada organismo determinado; isto é, ele se expande e contrai. Essas funções do campo energético dependem do estado emocional do organismo. Na luminância celular orgonótica, por exemplo, há sempre uma expansão considerável do campo de energia.

Assim, mesmo em duas relações tão amplamente divergentes como essas entre um eritrócito e um bíon de terra e entre o acumu lador de orgone e o organismo vivo sentado dentro dele, estamos na verdade lidando com um único e mesmo fenômeno. Todavia, há uma diferença essencial. Na primeira relação, forma-se uma ponte de radiação somente onde as superfícies estão em contato, enquanto no caso do acumulador, o campo de energia orgone do sistema orgonótico

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não vivo envolve completamente o campo de energia orgone do sistema orgonótico vivo. O diagrama abaixo ilustra esse processo:

Contato entre os campos de energia orgone do organismo e do acumulador de orgone (setas contínuas). As setas tracejadas do lado de fora mostram a atração da energia orgone atmosférica. Efeito: luminância do organismo.

Que fatos estão disponíveis para confirmar essa afirmação teórica?

1. Os efeitos do acumulador de orgone são enfraquecidos e, às vezes, eliminados se suas paredes internas estiverem a mais de 10 a 20 centímetros da superfície do organismo. A ignorância desse fato foi causa de uma série de fracassos terapêuticos. Por exemplo, quando camundongos eram tratados em acumuladores construídos para humanos, os efeitos neles eram pequenos. Eles melhoraram tão logo construímos acumuladores pequenos, medindo aproximadamente de 20 a 30 centímetros. Atualmente, até usamos acumulado ros menores, mas aumentamos o número de camadas de material orgânico e metal. Um menino de quatro anos de idade com câncer ósseo não reagiu tão favoravelmente quanto adultos com o mesmo diagnóstico; ele foi tratado em um acumulador construído para adultos. Objetou-se com freqüência que eletrofísicos que trabalham em gaiolas de Faraday teriam que experimentar o efeito do acumu lador. Nossa resposta a essa objeção é simplesmente que uma cabina

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de arame com muitos metros de largura não pode ser um acumula dor de orgone biologicamente eficaz. Por exemplo, posso ficar muito mais no meu acumulador experimental, que é de 3 x 2 metros, do que no acumulador terapêutico, que mede 60 x 70 centímetros.

2. Em termos vegetativos (orgonóticos), pessoas cheias de vida sentem os efeitos da energia orgone no acumulador bem mais rápido do que indivíduos lerdos. Os primeiros têm um campo de energia mais extenso que os últimos; assim, o contato entre o campo de energia orgone de seus corpos e o campo do metal das paredes internas do acumulador se estabelece bem mais rápida e facilmente.

3. Indivíduos orgonoticamente lerdos começam a notar os efeitos de uma exposição à radiação orgone no acumulador apenas depois de várias radiações. Só pode haver uma explicação para este fenômeno: o próprio organismo deve ser carregado passivamente até determinado grau mínimo e sua própria radiação de orgone estar intensificada antes que seja possível a percepção do efeito do orgone. Um médico foi incapaz de sentir o formigamento e o calor típicos nas palmas das mãos nos primeiros meses de uso do acumu lador. Ele começou a senti-los só depois de começar a utilizar o acu mulador regularmente. Em outras palavras, seu organismo permaneceu passivo no início, porém depois de um certo tempo como que “se esticou” em direção ao campo de orgone das paredes de metal.

Estas experiências são de imensa importância para uma compreensão não somente dos efeitos da energia orgone acumulada, mas também das reações orgonóticas do organismo. Ainda estamos longe de uma compreensão completa.

4. As paredes internas de metal do acumulador são frias. Porém se mantivermos a palma da mão a uma distância de cerca de 4 centímetros das paredes, sentiremos um delicado formigamento e calor (as diferenças objetivas de temperatura no acumulador foram relatadas de modo abrangente no Capítulo IV). Deve-se supor que as sensações de calor e formigamento são o resultado subjetivo do impacto das partículas de energia orgone na pele. Este fato tem um grande significado para a compreensão da sensação de calor originada pela radiação orgone.

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Em 1942, descobriu-se um importante fenômeno que tinha conexão decisiva com a luminância do corpo no acumulador: a temperatura do corpo sobe no acumulador até um grau centígrado (a rapidez e quantidade do aumento variam de indivíduo para indivíduo). Se a temperatura corporal antes da irradiação estiver perto do ponto de febre, ela subirá além desse ponto no acumulador. Assim, a energia orgone pode produzir uma febre suave.

Sabe-se que a elevação de temperatura no organismo é uma reação fundamental de excitação das células e do sangue. Até agora, não foi compreendida. A elevação de temperatura no acumulador é indicativa de luminância no sistema orgonótico do corpo. O sangue e outros sistemas celulares luminam durante o contato com o campo de energia orgone do acumulador através de um processo análogo àquele que ocorre no contato entre dois bíons. Esse contato entre dois sistemas orgonóticos conduz a um aumento no metabolismo de energia orgone do organismo, e é a esse aumento metabólico que devemos atribuir o efeito restaurador e vitalizante da orgonoterapia. Em seqüência, são os seguintes os estágios do processo: contato entre dois campos de energia; interpenetração; luminância celular; aumento no metabolismo de energia orgone. Eles correspondem exatamente às fases características de processos biológicos importantes, como a copulação e a união das células sexuais. Assim, na orgonoterapia estamos lidando com processos de energia sexual no sentido biofísico mais estrito da palavra, e só a percepção desse fato pode explicar por que tantos pacientes que sofrem de uma imobilização do metabolismo de sua energia biológica desenvolvem excitações sexuais e estase sexual quando submetidos à orgonoterapia. Haverá mais comentários a esse respeito quando da discussão de casos específicos.

Por conseguinte nosso acumulador, feito com substância orgânica por fora e com folhas de metal por dentro, não é em absoluto a caixa indigna de nota que parece ser. Na verdade, é um sistema intensamente ativo biologicamente, que nos oferecerá muito que pensar em um outro contexto.

As repetidas luminâncias do organismo geradas pelo acumu lador de orgone se manifestam também na intensificação gradual

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da energia biológica nos eritrócitos, capacitando-os a irradiar com mais força, ganhar turgidez, destruir células de câncer, matar bacilos T, e assim por diante, todas as coisas que eram incapazes de realizar enquanto ainda estavam fracas orgonoticamente. De certo ponto de vista, a orgonoterapia poderia também ser designada como uma terapia de febre natural, se a febre for entendida corretamente como um sinal de atividade bioenergética intensificada do organismo. Essa interpretação criaria um quadro de referência a partir do qual muitos métodos curativos médicos – freqüentemen te aplicados, mas pouco entendidos – se tornariam mais compreensíveis. A terapia da malária contra a paresia geral desenvolvida pelo meu professor Wagner-Jauregg, em Viena, é basicamente a estimulação artificial de uma luminância celular forte através da injeção de parasitas da malária. O chá quente com rum contra resfriados e as “compressas de água quente” para dor de dente são tratamentos que pertencem a essa categoria. Aquilo com que defrontamos agora é a tarefa de compreender os efeitos de muitas técnicas quimioterápicas com base nesse ponto de vista e daí possibilitar a distinção entre as drogas benéficas e as prejudiciais. Uma droga que mata os bacilos, porém danifica simultaneamente as células sanguíneas e o sistema plasmático em vez de fortalecê-los, não deveria ser permitida, mesmo que grupos de interesses poderosos tenham investido contra tais controles. Só pode ser a luminância dentro do organismo que reduz rapidamente ou até elimina dores de todos os tipos.

Observações de dados sugerem que a luminância celular produzida no organismo pelo acumulador de orgone é o verdadeiro e essencial fator terapêutico. Essa luminância celular exerce um efeito nas células cancerosas e nos bacilos T no organismo que é tão destrutiva quanto o efeito paralisante exercido pela forte radiação or gone dos bíons SAPA sobre os bacilos T e as células cancerosas móveis, que observei ao microscópio e filmei. É de esperar que experimentos posteriores usando diferentes arranjos de materiais aumentarão consideravelmente o efeito de irradiação do acumula dor de orgone. Da maior importância é encontrar formas de encur

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tar a duração de irradiações individuais ao mesmo tempo que se alcançam maiores elevações na temperatura do corpo.

Os resultados da orgonoterapia no câncer humano que apresentarei agora estão incompletos. Eu teria postergado sua publica ção de bom grado até que mais casos tivessem sido tratados, porém sentiu-se que o esforço geral para dominar o câncer receberia um ímpeto decisivo se fosse explicada essa análise do mecanismo da biopatia carcinomatosa, elucidada a questão fundamental da formação de células cancerosas e dados a conhecer os efeitos da recém

descoberta energia orgone.

Os primeiros pacientes de câncer a se submeter ao experimento orgone foram aceitos no meu Laboratório de Pesquisa de Câncer e Orgone em Forest Hills apenas sob condição de que seus médicos não fizessem objeção ao experimento e que seus parentes assinassem o seguinte atestado:

Por meio deste instrumento, certifico que procurei o Doutor Wilhelm Reich para uma possível ajuda no caso do meu ________ que sofre de câncer. Vim porque tive conhecimento dos experimentos que o Doutor Reich realizou com camundongos e humanos cancerosos. O Doutor Reich não me prometeu cura, não cobrou honorários e me disse que só nos últimos meses experimentou a irradiação orgone em seres humanos que sofrem de câncer…

A morte ou abscessos podem ocorrer como conseqüência da doença. Eu afirmei ao Doutor Reich que os médicos desistiram do caso do meu ______ por não ter mais esperanças de cura. Caso a morte ou abscessos ocorram durante o período do experimento, não terá sido por causa do tratamento.

Eu gostaria de descrever os desapontamentos e fracassos que experimentamos, se não por outro motivo, que seja para evitar a impressão de que agora temos uma “panacéia”, os meios de “curar” o câncer sob quaisquer circunstâncias. Compreender os fracassos é algo vital para quaisquer esforços futuros para ampliar e desenvolver os efeitos benéficos da orgonoterapia. Os exemplos que seguem demonstrarão os tipos de dificuldades e fracassos com que deparamos.

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Caso M.F., uma viúva de cinqüenta e sete anos, chegou até nós com vários tumores, predominantemente no crânio e nos ossos dos braços. Ela era compulsivamente religiosa. Também sofria de hipocondria e queixume masoquista. Dezessete anos antes, seu útero havia sido extirpado por causa de tumores. Cerca de dois anos antes, desenvolvera dores no pescoço, no topo da cabeça e na região lombar. Ela dormia mal e perdera o apetite. Era difícil separar sua queixa hipocondríaca de suas queixas genuínas sobre as dores agudas do câncer. Só era capaz de andar com ajuda; sua pele era pegajosa e lívida, pés e mãos frios e suarentos. Tinha 33% de hemoglobina no sangue. Os testes sanguíneos foram todos positivos para câncer: crescimento de bacilos T, reação T à autoclave, encolhimento rápido dos glóbulos vermelhos em soro fisiológico. Os tumores no crânio eram palpáveis e duros. O diagnóstico de câncer havia sido confirmado no Hospital Memorial.

A paciente veio diariamente fazer o tratamento de orgone durante oito semanas. No terceiro dia, apresentou 41% de hemoglobina no sangue, no sexto dia, 55%, no oitavo dia, 85%. A hemoglobina permaneceu normal durante quatro semanas e então caiu para 78% e ficou aproximadamente nesse nível. As reações T foram positivas durante cerca de três semanas. Depois de quatro semanas, não havia mais bacilos T no sangue, porém a desintegração T dos eritrócitos, que havia sido de quase 100% no começo, era de 35% depois de sete semanas.

Os tumores palpáveis no crânio tornaram-se perceptivelmente menores e menos duros. Surgiram sangramentos pelo nariz. O sangue era de cor amarronzada e continha material característico de tumor. As dores cederam, o sono e o apetite melhoraram. Ela começou a gostar do acumulador e queria ter um em casa para poupar-se da viagem diária. Todavia eu não pude ceder ao seu desejo, porque cu ainda tinha muito pouca experiência quanto aos efeitos da orgonoterapia no câncer humano.

Depois de dois meses, a paciente desenvolveu tensões na porção superior das coxas, nos músculos adutores profundos. Além disso, ela parecia relutante em usar o acumulador, o que eu, no

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começo, não entendi. Mais ou menos na mesma época, o primeiro paciente de câncer, cujo caso descrevi anteriormente, reagiu à irra diação orgone com estase sexual. Então eu pensei que havia motivo para supor que aquela paciente também havia sido carregada se xualmente e que os espasmos nos adutores profundos das coxas eram uma reação direta. Sua hipocondria intensificou-se. Ela não tinha dores do câncer, mas ficou ranzinza. Seus parentes não conseguiam mais suportá-la e a paciente foi para um asilo de velhos. Interrompeu o tratamento com o orgone. Um novo conjunto de raios X mostrou claramente a redução e calcificação dos tumores no braço e no crânio. Porém a neurose da paciente complicou a terapia do câncer. Depois de alguns meses de melhoria significativa de sua condição, ela morreu. A orgonoterapia prolongou sua vida por alguns meses e aliviou suas dores.

Como outros pacientes cancerosos, ela também apresentou uma imagem de resignação emocional total, um fator no qual seus parentes também haviam reparado. Uma vez, sua sobrinha me disse: “Ela não tem razão para viver”. Parecia bem claro que a paciente morreu porque sua “pulsão de vida” nunca funcionou corretamente e seu sistema vital desistiu de querer alegria na vida.

Caso C.K., trinta e três anos de idade, estava recebendo tratamento médico para uma colostomia realizada por causa de um câncer no cólon. A paciente relatou que ela sempre havia sido constipada, mesmo quando criança, e sempre fora anêmica. No verão de 1939, ela começou a sofrer de “disenteria”, que coincidiu com cada ciclo menstrual dali por diante. Em 1940, ele teve hemorragias intestinais. Antes disso, durante muitos meses, sofrera de dores insuportáveis no reto. O uso constante de supositórios analgésicos e uso oral de codeína não ofereceram mais que um brevíssimo alívio.

Quando aceitamos esse caso no laboratório no dia 7 de maio de 1941, a paciente estava num estado desesperador. Sua caquexia estava bem avançada e, embora fosse alta, pesava apenas 52 kg. Transpareceu imediatamente que ela sofria de uma biopatia sexual grave. Tinha uma expressão angustiada e sofria de sonhos angustiantes. Seu marido morrera oito anos antes e, desde então, ela

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vivera em abstinência total. Mesmo durante seu casamento, o marido havia ficado doente constantemente e “fraco demais para dar atenção a esse tipo de coisas”. A colostomia havia intensificado seu estado de nervosismo. Ela acreditava que desmaiaria quando soltasse gases intestinais sem conseguir controlá-los. Sofria de insônia, que havia começado muito antes de o câncer aparecer. Durante seus ataques de angústia, sentia espasmos na garganta e no ânus; ela “pensava que ia morrer”.

Esse caso foi diagnosticado como câncer por diversos médicos particulares e também no hospital.

Os resultados dos testes foram os seguintes: hemoglobina, 72%, teste de autoclave, reação T de 99%. Os glóbulos vermelhos eram pálidos, as margens de orgone, estreitas; a degeneração era gradual, porém com nítida formação de espículas T. A cultura dos excretas intestinais apresentou uma forte reação T, várias bactérias de putrefação, células cancerosas formadas até formas amebóides.

Dois dias depois do início da irradiação orgone, a hemoglobina subiu para 82% e ficou nesse patamar. Depois de cerca de duas semanas, o quadro sanguíneo havia melhorado significativamente. Os excretas dos intestinos mostravam agora apenas algumas poucas células cancerosas completamente formadas, com agrupamentos de células cancerosas destruídas e corpos T sem mobilidade. Ao término de quatro semanas, a reação T do sangue na autoclave era de apenas 5% ou, em outras palavras, uma reação B de 95%.

Suas dores já haviam diminuído consideravelmente depois da quinta irradiação. A paciente conseguia passar a noite com apenas uma pílula de codeina, o que nunca havia sido possível anteriormente, e ela conseguia dormir. Depois da décima segunda irradiação orgone, ela parou de usar os supositórios e, durante as seis semanas que se seguiram, só precisou usá-los duas vezes, Além disso, não tomou mais codeína. Seu apetite melhorou, porém ela não ganhou peso.

Em 29 de maio, o exame das excreções retais revelou uma total ausência de células cancerosas formadas e somente a presença de detritos de câncer, corpos T não móveis, e assim por diante. A excre

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ção não era mais cinza, mas amarronzada, uma indicação de sangue desintegrado oriundo do tumor.

Depois da décima segunda irradiação com orgone, ocorreu coceira no ânus. A paciente transpirava livremente no acumulador e sua pele perdeu a palidez. Ela estava livre de dor, dormia bem, passeava e usufruía a companhia de amigos, e assim por diante.

A paciente continuou o tratamento com interrupções curtas até 28 de julho de 1941. Ela ainda estava livre de dores e se sentia bem. No início de agosto, parou de vir ao tratamento. No meio de setembro, ela me disse ao telefone que ainda não tinha dores e se sentia bem, porém não poderia mais vir ao tratamento. No dia 30 de setembro, escrevi uma carta aos seus parentes recusando-me a aceitar qualquer responsabilidade pelo futuro destino da paciente. Descobri então que foi sua neurose que a impediu de vir ao tratamento. Desde a puberdade, ela sofria de uma claustrofobia grave e, por esse motivo, não era capaz de usar o metrô para vir ao nosso laboratório. Sua relação com os parentes próximos era extraordinaria mente precária. Tive muitas vezes a impressão que o ódio profundo, inconsciente, que, na verdade, nutriam por ela os fazia esperar por sua morte prematura. Eles não tinham tempo para ela e deixaram tão claro que ela era um peso que, no seu estado silencioso, resignado, ela não pediu mais para ser trazida de carro ao laboratório. Eu sabia que ela estava condenada, mas não podia fazer nada. A situação familiar não podia ser superada e não me senti livre para dar à paciente um acumulador para usar em casa, porque seu próprio médico era contra, embora tenha admitido ao irmão dela que sua condição havia melhorado, em 24 de maio. Quando a paciente começou o tratamento com orgone, esse médico ameaçou levar o caso para a polícia e recusou-se a me passar sua história de caso, Durante o verão de 1942, fiquei sabendo que ela havia morrido.

Sua morte deveu-se claramente à biopatia de encolhimento. Sua condição foi grandemente aliviada durante alguns meses pelo tratamento com orgone, e sua vida, prolongada por cerca de um ano. Esse caso demonstrou, no entanto, que a orgonoterapia não é independente de condições sociais e familiares,

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2. QUESTÕES EM ABERTO REFERENTES À ORGONOTERAPIA DO CÂNCER

A orgonoterapia conseguirá eliminar uma série de perturbações desencadeadas pelo câncer ou impedir o seu desenvolvimento, porém nunca será capaz de dominar o flagelo por si só. A orgonoterapia é apenas uma das medidas da economia sexual na luta contra as biopatias. A energia orgone pode carregar tecidos e gerar a expansão do aparelho vital. Porém quando o meio social força continuamente o organismo para a contração, a resignação, o encolhimento, e assim por diante, então o uso de energia orgone é como tentar encher de água um barril sem fundo.

Para fins de classificação, vamos separar o uso específico de energia orgone das medidas sociais mais gerais envolvidas no processo terapêutico. O médico praticante se interessará apenas pela aplicação terapêutica da energia orgone. No entanto, ele nunca deve perder de vista a causação social geral das biopatias, se desejar tratar o organismo humano como um produto das influências biológicas e sociais.

A orgonoterapia do câncer oferece diversas vantagens se comparada aos métodos de irradiação local com rádio , raios X e cirurgia. É verdade que a irradiação com raios X pode interromper o crescimento de um tumor temporariamente. Porém esse tipo de tratamento se faz acompanhar por um enfraquecimento biológico geral do organismo. Ele reduz o apetite e causa náuseas e vômitos. Seus efeitos são locais e não têm influência benéfica sobre a biopatia de encolhimento. Os resultados obtidos pela irradiação local com rádio são melhores, mas ainda superficiais e, como o tratamento por raios X, deixam intacta a biopatia. A extirpação cirúrgica de um tumor tem admitidamente um efeito local radical, no entanto não impede o desenvolvimento de metástases nem modifica de modo algum o processo geral.

Em contraste, a orgonoterapia tem a tremenda vantagem de aplicar uma energia que o corpo possui e que pode alcançar cada parte do corpo através da corrente sanguínea. A carga orgonótica dos eritrócitos

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cumpre duas tarefas importantes de uma só vez: a expansão geral do organismo e o estabelecimento de suas próprias forças de defesa contra a intoxicação T. Se a desintegração no organismo não estiver avançada demais, há habitualmente aumento do apetite, interrupção da perda e até aumento de peso, redução de náusea e dores, e fortalecimento das reações sanguíneas. O tumor não é destruído imediatamente. O primeiro efeito se manifesta no revigoramento do sangue. O ataque do sangue sobre o tumor e sobre a infecção sistêmica T não ocorre até que o revigoramento biológico geral tenha atingido um determinado nível. Portanto, a excreção de massas de tumor liquefeito, na forma de um líquido vermelho amarronzado, não acontece durante algumas semanas, e as culturas T do sangue só se tornam negativas depois de semanas de tratamento. Em muitos casos de sangue biologicamente enfraquecido e anemia grave, um suprimento novo de jovens eritrócitos se desenvolve antes do ataque ao tumor; esse processo pode ser observado microscopicamente. Soube-se do desaparecimento de tumores de mama depois de cerca de duas a três semanas.

Até agora, nossa experiência indica que, não importa onde estejam localizados, os tumores sempre amolecem. Tão gratificante quanto isso possa ser, permanece o fato de que a terapia do câncer torna-se complicada precisamente pela destruição dos tumores em casos onde os detritos não podem ser absorvidos nem eliminados. O processo nos é familiar pelos nossos experimentos com camundongos. O sangue orgonoticamente forte flui para dentro do tumor e o tecido canceroso se desintegra. Desenvolvem-se grandes cavidades cheias de sangue, que podem até aumentar o tamanho do tumor. Um fluido marrom composto de massas gigantescas de cor pos T inativos se junta nas cavidades, exatamente como no caso dos camundongos tratados com orgone. Isso pode ser observado microscopicamente por um estudo das excreções. O resultado do caso depende agora de se essas enormes massas de materiais residuais do tecido canceroso destruído podem ou não ser eliminadas do organismo. Um tumor cerebral em uma mulher foi destruído em duas semanas. Diminuiu-se a pressão intracraniana; os sinais peri

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féricos recuaram. Porém o detrito do tumor obstruiu os gânglios linfáticos do pescoço e a paciente morreu, de acordo com o relato de seu médico, de sufocação por edema da glote.

Outra mulher, que tinha um tumor no estômago do tamanho de uma maçã, reagiu extremamente bem à nossa orgonoterapia. O tumor, que era palpável, amoleceu e ficou notavelmente menor. Porém depois de oito semanas, as vias renais ficaram obstruídas; apresentou edema nas pernas, o coração foi afetado e a paciente morreu de descompensação cardíaca. No caso dessa paciente em particular, a excreção dos produtos residuais pelos intestinos era possível teoricamente, mas ela sofria de constipação crônica. Em conseqüência, os intestinos foram incapazes de levar a cabo a eliminação, e os produtos residuais eram absorvidos pela corrente sanguínea em sua maior parte.

Uma terceira mulher com tumor ovariano morreu de complicações renais depois de reagir à orgonoterapia com uma melhora de suas condições gerais, com diminuição e amolecimento do tumor.

No caso de um menino de cinco anos de idade com um tumor adrenal e metástases na coluna, as imagens de raios X apresentaram uma calcificação das deficiências ósseas depois de quatro semanas, e o tumor original na glândula adrenal esquerda não era mais palpável depois de duas semanas de tratamento. Porém a polpa do tumor decomposto da coluna obstruiu o canal espinhal e o menino desenvolveu uma paralisia flácida nas pernas. Ele morreu posteriormente de degeneração hipertrófica do fígado, um aparente resultado do fracasso do processo de eliminação.

O aumento do fígado com degeneração de suas células e obstrução das passagens renais são os resultados mais freqüentes e característicos da destruição do tumor nos casos em que a massa de tecido tumoral destruído não é eliminada com rapidez e facilidade, Ainda não temos uma resposta para esse problema. É correto, porém não muito útil, afirmar que não se deveria deixar crescer o tumor além de um determinado tamanho. É preciso descobrir formas e meios para lidar com essas manifestações secundárias em casos que chegam para tratamento tão tarde. Eu gostaria de relem

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brar o leitor de que nenhum dos pacientes de câncer tratados pelo Laboratório de Pesquisa sobre Câncer e Orgone chegou a nós imediatamente depois da descoberta do tumor. Todos eles haviam despendido dois anos ou mais com outras formas de tratamento; todos eram casos terminais. Portanto, não sabemos se muitos tumores não teriam desaparecido sem tais manifestações secundárias caso os pacientes viessem a nós imediatamente depois da descoberta do tumor. Com tumores menores, a massa de material residual também seria menor e o perigo de obstrução das passagens de excreção ficaria, portanto, reduzido.

Deve-se ressaltar aqui que a força biológica do sangue não pode ser julgada de acordo com seu conteúdo de hemoglobina. Encontramos casos em que esse conteúdo era de 80% e a reação T na autoclave, de 100%. Como são as reações T e B do sangue que indicam sua resistência biológica, elas devem ser consideradas essencialmente independentes do conteúdo de ferro do sangue.

Além disso, eu gostaria de refletir brevemente sobre alguns problemas de economia sexual na orgonoterapia do câncer que possuem uma grande importância prática. Estamos conscientes agora de que a resignação sexual tem um papel ativo nos antecedentes da biopatia de encolhimento carcinomatosa. Portanto, os pacientes chegam a nós com uma pronunciada deficiência da libido. O tratamento com orgone alcança uma redução das dores e uma carga orgonótica do sistema sanguíneo. Esses dois efeitos levam em muitos casos a um redespertar da excitação sexual. Se as repressões e o encouraçamento forem muito pronunciados, o paciente não terá consciência da excitação sexual. Ele irá exprimi-la de uma forma compreensível apenas para o especialista em economia sexual, principalmente pelo surgimento de ansiedade aguda, pelos espas mos genitais, pelo “peso” na musculatura das coxas e da pelve ou simplesmente esquivando-se da “esquisita” radiação orgone (o que aconteceu em dois casos). Em outros casos, em que a vida sexual não havia cessado completamente e em que o paciente ainda estava tendo relações sexuais (embora sem apresentar potência orgástica, é claro), era mais fácil abordar as dificuldades. Neste caso, o distúrbio

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da vida sexual toma na maior parte das vezes a forma de práticas prejudiciais e inibições como conseqüência da ignorância. Por exemplo, um homem com câncer do reto desenvolveu dores nos testículos e dutos espermáticos depois da melhoria de suas condições gerais. Ele atribuiu as novas dores à sua doença, porém reconheço o caráter estático dessas dores e pude aliviá-las. Sua mulher se recusou a manter relações sexuais. Ele estava doente demais para procurar satisfação em outro lugar e não lhe ocorreu a idéia de se masturbar. Durante uma consulta, de que participava também seu irmão, que era muito compreensivo, ele percebeu que suas dores eram causadas por estase genital e que seu único recurso era a mas turbação. Depois de curto espaço de tempo, as dores desapareceram.

Outro paciente que sofria de câncer na bexiga desenvolveu esporadicamente dores violentas na pelve, diferentes das dores causadas pelo tumor antes do tratamento com orgone. Tentei obter um quadro claro de sua situação sexual. Durante quinze anos, o homem não tinha mantido relações sexuais com a sua esposa e nos últimos cinco anos ele não havia experimentado qualquer tipo de satisfação sexual. Não posso dizer ao certo se a estase teve qualquer influência direta sobre o desenvolvimento do câncer na bexiga, mas poder-se ia supor que sim. Discuti o assunto com ele, que percebeu que eliminar a estase genital era um imperativo. Então suas dores desapareceram tão rapidamente que não poderia haver dúvidas da conexão entre os fatos. Portanto, foi ainda mais incompreensível a atitude médica expressa em uma crítica da primeira edição de nosso jornal: “Seria razoável se opor à recomendação da prática de masturbação para chegar ao relaxamento do aparelho genital”. Por que deveria haver tal objeção? Não acredito que possa haver qualquer argumento racional contra essa medida. Além disso, sou da opinião que deveria se dar bem mais atenção às dores e condições de estase do aparelho genital de pacientes com câncer, como os dois casos que acabamos de mencionar revelaram tão nitidamente.

A maior dificuldade com que se defronta o tratamento com orgone para o câncer são os antecedentes biopáticos gerais da doença. O encolhimento de todo o sistema autonômico refere-se às

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próprias raízes das funções vitais. Portanto, devemos estar preparados para grandes dificuldades em quaisquer esforços para lidar com esse problema. O leitor sem dúvida terá avaliado a importância das descobertas no caso do câncer descrito no capítulo sobre “A Biopatia de Encolhimento Carcinomatosa”: o organismo encolhe mesmo depois da eliminação dos tumores locais. Esse desdobramento mudou toda a ênfase do problema do câncer do tumor local para o encolhimento geral. Porém, nessa área, não é apenas uma questão de problemas biológicos, mas igualmente de problemas sociais e de economia sexual. Ainda é muito cedo para dizer até que ponto a orgonoterapia pode se contrapor à tendência ao encolhimento geral, se é que isso é possível. Dependerá provavelmente da possibilidade – e, se ela existir, em que grau – de o modo de vida do paciente poder melhorar no plano econômico-sexual. É preciso acumular mais experiências práticas antes de fazer quaisquer observações conclusivas.

Até agora, estive relatando somente as dificuldades da orgonoterapia e os problemas que a limitaram. Vamos nos voltar agora para suas realizações, que são inequívocas e gratificantes:

Caso S.T., quarenta e dois anos, veio para a orgonoterapia no dia 30 de abril de 1941. Em fevereiro de 1938, ela passou por uma mastectomia radical da mama esquerda por câncer. Dois meses depois de sair do hospital, desenvolveram-se tumores em ambas as pernas, abaixo dos joelhos. As dores foram fortes e havia dificuldade para caminhar. Ela permanecia de cama, portanto, a maior parte do tempo. Mesmo antes da mastectomia, ela havia sofrido de dores “reumáticas” nas pernas. Sentia os dedões “amortecidos”. Também havia sofrido, durante anos, de “puxões doloridos” nos braços, dedos das mãos e no pescoço. Dores de cabeça e episódios de tontura haviam sido fonte constante de sofrimento muito antes da operação. Ela também sofria de obstipação. Ela havia passado por cinco partos prematuros e três abortos. Devido ao tratamento por raios X, sua menstruação havia parado seis meses antes de chegar a nós. Os tumores nas pernas estavam crescendo lentamente, mas com constância. As dores sempre ficavam mais intensas quando o tempo piorava. Os braços eram tão fracos que, muitas vezes, ao

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levantar algo, um braço tinha que sustentar o outro. Desde a operação da mama, scu braço esquerdo havia inchado e doía.

Ali diante de nós estava a história típica da doença da biopatia. Os exames confirmaram o quadro. Toda a musculatura do pescoço estava gravemente hipertónica. O tórax mantinha-se elevado, a expiração estava quase totalmente inibida, o pescoço era rígido e mantido em uma atitude de desafio. A musculatura abdominal era dura e não podia ser pressionada. Os tumores nas pernas eram quase do tamanho de nozes.

Teste sanguíneo: hemoglobina, 80%; os testes de autoclave e tintura de Gram apresentaram 40% de reação T. As culturas T eram +++, com numerosas bactérias de putrefação. Os eritrócitos eram pálidos, com margem de orgone estreita, mas sem espículas T. A desintegração ocorreu em cinco minutos.

Secreção vaginal: bacilos T, +++, com numerosas bactérias de putrefação e bacilos T visíveis ao microscópio.

Por volta de 4 de maio, cla conseguia andar melhor. A sensação de amortecimento nos braços e pernas desaparecera. Os tumores nas pernas estavam visivelmente menores. Em 6 de maio, seu médico confirmou a redução no tamanho dos tumores e aconselhou a paciente a continuar seu tratamento conosco. Ela escreveu ao filho sobre a melhora notável de suas condições. Não estava mais presa ao leito; na verdade, conseguia dar uma volta e fazer um pouco de compras. Em 7 de maio o tumor abaixo do joelho esquerdo havia desaparecido e o tumor abaixo do joelho direito mal podia ser apalpado. Intensificaram-se suas reações ao acumulador: ela começou a manifestar uma transpiração quente, indicando que havia obtido uma resposta vagotônica. Seu peso permaneceu constante em cerca de 78,5 kg.

Resultados dos raios X: antes de chegar a nós, havia várias áreas sombreadas nas estruturas ósseas, principalmente nos ossos pélvicos. Em 20 de junho de 1941, os raios X apresentaram um clareamento considerável dessas áreas escuras, especialmente na pelve. Os joelhos estavam normais.

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A paciente permaneceu quase livre de dor durante os meses subsequentes; ela não solicitou mais morfina, não perdeu peso e era capaz de realizar seus afazeres domésticos sem dificuldades. Ela interrompeu o tratamento com orgone em dezembro de 1941. Em janeiro de 1943, ela ainda vivia – e bem. Não se pode predizer se o processo canceroso irá se instalar novamente. Deve-se observar que a paciente não tinha um acumulador em casa.

Caso F.H., um homem de quarenta e cinco anos, chegou ao nosso laboratório em 19 de abril de 1941. Um ano antes, surgira uma dor como se o tórax estivesse sendo repuxado, e que o “asfixiou”. Desde então, ele perdera 11,3 kg. Não conseguia mais comer alimentos sólidos e só conseguia ingerir líquidos em uma colher de chá, com grandes dificuldades. Sofria de um tique no diafragma (“soluços”) e insônia, e ficou rapidamente exausto quando trabalhava. A natureza emocional deste caso foi descrita no capítulo sobre “A Biopatia de Encolhimento Carcinomatosa”.

O diagnóstico do médico do paciente era câncer de esofago não passível de operação, com quase total contrição do lúmen, confirmada por raios X. O epigástrio estava tenso e o paciente sofria de grave constipação. O tórax não se mexia com a respiração. Ele pesava 65,3 kg.

Teste sanguíneo: hemoglobina, 70%, cultura T, +++, reações T, 95%. Os eritrócitos com espículas T apresentaram desintegração bionosa imediata, e depois se transformaram em pequenos eritrócitos com citoplasma homogêneo.

A reação do paciente ao acumulador de orgone foi imediata e forte: transpiração quente, avermelhamento da pele, uma sensação de nebulosidade depois de vinte minutos de exposição.

Em 28 de abril, a hemoglobina era de 85% e permaneceu nesse nível durante os meses seguintes. Durante o mesmo período de tempo, o peso do paciente aumentou em cerca de 2,25 kg. Seu cansaço tinha ido embora e ele conseguia engolir sólidos macios (carne amaciada, sopa de macarrão, etc.). A reação T em 9 de maio era apenas de 10%. A sensação de asfixia desaparecera; ele dormia bem e conseguia trabalhar sem se cansar. A pele ficou bronzeada. O paciente

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estava extremamente feliz e grato. O tratamento com orgone durou aproximadamente doze semanas. Dois anos depois, o paciente ainda vivia e trabalhava. No entanto, também neste caso, poderia ocorrer uma reincidência.

Resumo

Ao todo, foram seguidos de perto e tratados com irradiação de orgone treze casos de câncer diagnosticado em hospitais que receberam tratamento com raios X e dois casos que eu diagnostiquei. Todos eles, quando aceitos, já estavam em estágio avançado de caquexia. Sem exceções, houve alívio das dores e o uso de morfina foi reduzido consideravelmente e até mesmo eliminado em alguns casos. Conseguiram-se a diminuição dos tumores e a melhora da condição geral do sangue e do fator peso em todos os casos. Tumores de mama foram eliminados em todos os casos; ocorreu redução do tamanho e amolecimento em todos os outros tumores.

Em quatro casos, os raios X mostraram calcificação das deficiências ósseas. Na maioria dos casos, a eliminação do material do tumor destruído foi bem-sucedida. Em três casos, o tratamento com orgone não melhorou a expectativa de vida. Em seis casos, o tratamento com orgone retardou o processo de morte em cerca de cinco a doze meses e tornou os últimos meses de vida consideravelmente mais suportáveis. Em seis casos, interrompeu-se o processo de encolhimento. Em seis casos, restaurou-se a capacidade de trabalhar. Cinco dos catorze casos diagnosticados como inoperáveis e terminais ainda estavam vivos dois anos depois de encerrados os tratamentos com orgone, e estavam em condições que iam de toleráveis a boas. Em um caso, o tratamento com orgone não teve efeito na eliminação do fluido ascítico na cavidade abdominal.

Esses resultados foram encorajadores, embora estivessem longe de ser satisfatórios, e nos fizeram sentir uma responsabilidade quanto à continuação do trabalho. Comparados com a condição dos pacientes antes de começarem o tratamento com orgone, os

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resultados devem ser considerados como surpreendentemente bons. Todavia, o problema da eliminação da polpa do tumor destruído permanece sem solução.

Os resultados confirmaram a adequação, em sua essência, da pesquisa sobre bíons e, além disso, formaram a conexão em que os experimentos com camundongos T, os testes sanguíneos de orgone, a fórmula de tensão e carga e as descobertas da biofísica orgone até agora demonstraram sua correção e seqüência causal.

3. EXPERIÊNCIA DE CINCO ANOS COM ORGONOTERAPIA FÍSICA

Neste momento, é pertinente apresentar um breve resumo dos resultados que obtive com a aplicação da orgonoterapia física em outras doenças que não o câncer ao longo de cinco anos. Por mais surpreendentes que tenham sido os avanços terapêuticos, é igualmente grande a expectativa mística que qualquer tipo de terapia nova tende a inspirar no público. As pessoas esperam ser libertadas de toda infelicidade, curadas de toda enfermidade e até ganhar acesso imediato e sem esforço a uma espécie de paraíso terrestre. A orgonoterapia física, isto é, o uso específico do acumulador de energia orgone, está bem distante de tais expectativas. Ele funciona com uma nova forma de energia, descoberta poucos anos atrás, que ainda não foi suficientemente investigada e testada, ou seja, a energia orgone cósmica. Por esse motivo, tomar precauções é essencial. Médicos honestos, realmente dedicados à sua profissão, estão tão desiludidos com a propaganda estridente da indústria farmacêutica e tão descrentes de qualquer forma de “cura” que uma autêntica nova terapia tem dificuldade de receber aceitação. De mais a mais, a medicina clássica está sem armas contra as biopatias – doenças do aparelho vital autonômico incólumes a qualquer medicação. Por outro lado, a energia orgone provou sua eficácia exatamente no trato dessas doenças. Por este motivo, o leitor há de entender que tomei providências para manter a orgonoterapia fora do contexto

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diário da prática clínica normal, principalmente para evitar certas tentações e certos enganos:

1. Em todas as minhas publicações sobre o assunto da biopatia do câncer, enfatizei o caráter profundamente enraizado dessa doença e as falhas do nosso tratamento comparadas aos seus sucessos surpreendentes, porém isolados. Na medicina tradicional não se fala em falhas.

2. O uso de acumuladores de orgone foi eximido de qualquer suspeita de especulação financeira através da criação de uma fundação administrada como instituição de caridade.

3. Evitou-se a utilização dos métodos habituais de propaganda para apresentar a terapia ao público.

4. Não se prometeu cura aos usuários do acumulador de orgone. A decisão sobre sua eficácia foi deixada ao paciente.

A orgonoterapia física se aplica das seguintes formas:

Irradiação de todo o organismo no acumulador de orgone

O paciente fica sentado no acumulador de orgone uma ou duas vezes por dia, com ou sem roupas. A duração da irradiação irá variar entre quinze e quarenta e cinco minutos, dependendo da receptividade do indivíduo. Certas pessoas são fortemente orgonóticas e sentem os efeitos do acumulador apenas cinco minutos depois. Outras que sofrem de anorgonia podem precisar de toda uma hora ou mais até sentirem as sensações de calor e formigamento. Só se pode sentir o efeito terapêutico em sua plenitude através de uso regular, diário, e, no caso de pacientes anorgonóticos, não antes de duas ou três semanas de utilização regular. As pessoas cujo campo de energia orgone está restrito nada sentem no começo. As sensa ções aumentam à medida que o organismo vai se carregando.

As indicações de uma reação completa do organismo ao tratamento com orgone são as sensações subjetivas de aquecimento,

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que se intensificam às vezes até a pessoa se sentir encalorada; transpiração quente; avermelhamento da pele, muitas vezes na face e no pescoço, mas também em outros lugares do corpo; sensações de formigamento e coceiras; aumento de temperatura mensurável objetivamente; desaparecimento de tensões e dores.

Até o presente momento, o uso regular do acumulador durante vários meses para irradiação do organismo trouxe os seguintes resultados:

As anemias foram eliminadas no período de três a seis semanas. Este efeito é um dos achados mais bem caracterizados. Para o olhar clínico experiente, o desaparecimento da anemia se faz acompanhar de uma melhoria claramente perceptível da circulação do sangue na pele; ela fica bronzeada e não mais pegajosa ou rija. Re duz-se a tendência de contrair resfriados em quase todos os casos. Os que ocorrem são menos frequentes e menos graves. De modo similar, também há redução na disposição para sentir “calafrios”, que têm pouco a ver com vírus, porém revelam uma relação próxima com as condições do orgone atmosférico.

Em alguns poucos casos, inclusive o meu, irradiações diárias adicionais conseguiram cortar no nascedouro diversas doenças, ou reduzir seus efeitos em grandes proporções. Durante a gripe epidêmica de Nova York no inverno de 1945-1946, por exemplo, sofri da doença por apenas doze horas, aproximadamente, e minha temperatura não excedeu 37,8°C em momento algum. Outros sujeitos experimentais relataram uma abreviação semelhante e suavização dos sintomas da gripe. É evidente o quanto esta descoberta pode ser significativa na prevenção da pneumonia resultante de uma forte gripe.

Um efeito muito gratificante e promissor é a redução da pressão sanguínea na hipertensão vascular. Este efeito se explica pela influência vagotônica da energia orgone. Ele foi observado em apenas quatro casos e precisa de estudo detalhado.

A radiação orgone mostrou ser benéfica em casos onde uma condição de fraqueza indefinível – a que nos referimos na biofísica orgone como ataque anorgonótico – dificulta a vida da pessoa afe

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tada. Quando a anorgonia se fez acompanhar de sintomas que indicavam uma tendência para putrefação do tecido canceroso, a orgonoterapia quase sempre alcançou bons resultados. O sucesso se reflete nitidamente, em particular, na melhoria das reações biológicas no teste de sangue, na mudança de reação T para reação B.

Anos atrás, no início de meus experimentos, pensei que, embora houvesse a possibilidade de a energia orgone exercer uma influência favorável sobre os tecidos, ela poderia não ter influência alguma nos locais em que mudanças estruturais já tivessem ocorrido. Senti então que o acumulador não seria eficaz nos casos de artrite, em que há contraturas marcadas e mudanças nas articula ções. No verão de 1944, fui levado a examinar um homem idoso e doente em Rangeley, no Maine. Ele andara sofrendo por muitos anos de artrite grave e, nos últimos anos, estivera permanentemente acamado. Quando o vi, minha primeira reação foi de indisponibilidade para assumir o caso. Seus joelhos estavam rigidamente dobrados. Era incapaz de andar e só conseguia arrastar-se pela casa com os joelhos imóveis. Era emaciado, pálido, gravemente anêmico. Estava para morrer. As articulações de seus dedos eram rígidas e apresentavam as deformações características. A família pediu-me para tentar tratá-lo, apesar de aparentemente não haver esperanças de melhoria de suas condições. Deixei claro que não pensava poder fazer algo por ele, porém, se quisessem tentar, é o que deveriam fazer. Mandei um acumulador de orgone para sua casa sem cobrar. Durante vários meses, nada mais soube. Então, no inverno, fiquei sabendo que o paciente se sentia melhor, mais forte; seu apetite melhorara consideravelmente e também conseguia sair da cama e andar no quarto de vez em quando. O contato seguinte ocorreu no verão de 1945, quando eu estive em Rangeley novamente e visitei a família. Mal pude acreditar nos meus olhos e ouvidos: tive a impressão de ter me tornado um daqueles místicos que curam pela fé. O homem velho não estava mais confinado ao leito, mas andava pela casa quase sem restrições de movimento. Sua face adquirira uma cor rosada, tendo perdido totalmente a palidez anterior. Fiquei sabendo que ele realmente havia começado a circular poucas sema

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nas antes, tinha caminhado algumas vezes pelo quintal, não sofria mais de constipação, alimentava-se bem e, de modo geral, estava de bom humor. Quando me viu, começou a chorar. Devo enfatizar categoricamente que não podia ser sugestão ou coisa parecida. Em primeiro lugar, a sugestão não influencia a artrite avançada; em segundo, falei com o paciente uma só vez e lhe disse expressamente que não acreditava na possibilidade de cura no seu caso; e, em terceiro lugar, não vi nem falei com o paciente durante quase um ano.

Foi a ação do acumulador de orgone a única responsável pelas mudanças nas condições do paciente. Poucas semanas depois, ele veio me ver em meu laboratório, distante cerca de dezesseis quilômetros de sua casa. Estava profundamente grato e se interessou de modo tocante por nosso trabalho.

Só tratei três casos de angina, um caso crônico, grave, e dois mais brandos. Nos três, a orgonoterapia foi bem-sucedida e exerceu um efeito benfazejo. O paciente com doença crônica teve ataques menos freqüentes e pôde parar de tomar medicamentos por tempo prolongado, embora não estivesse completamente curado. Nos outros dois casos, todos os sintomas desapareceram depois de alguns meses de irradiação orgone.

Eu gostaria de deixar o relato do efeito da orgonoterapia em casos de esquizofrenia para outro contexto¹

Descreverei agora o caso interessante de uma paciente que conseguiu evitar uma cirurgia grave com o uso da orgonoterapia. Os médicos descobriram um tumor no seu cólon descendente e diagnosticaram um provável câncer, recomendando cirurgia. A paciente havia ouvido falar dos meus experimentos com câncer e queria minha opinião antes de se submeter à operação.

Meu exame com fluoroscópio e palpação confirmou a presença de um tumor enrijecido do tamanho de uma noz no meio do cólon descendente. O tumor era móvel. Os testes sanguíneos relativos à física orgone, todavia, não apontavam sinal de degeneração cancerígena. Portanto aconselhei à paciente, que também sofria de obstipa

1. Ver Análise do caráter, “A cisão esquizofrēnica”.

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ção, a postergar a operação até que tivéssemos definido a natureza do tumor com a ajuda da irradiação orgone. Eu sabia por experiência que poderia ser um ponto espasmódico localizado, e que muitas vezes tais espasmos podem ser aliviados pela orgonoterapia.

A paciente recebeu um acumulador para usar em casa. Eu a vi novamente oito dias depois, o tumor não era mais palpável. Mostrou-se correta minha suposição de que o “tumor” nada mais era do que um simples espasmo. Porém, como o tecido espasmódico em estado crônico pode degenerar em câncer, aconselhei-a a tomar cuidado e usar o acumulador regularmente. Ela então evitou a operação que a atemorizava e ficou muito agradecida. Sua obstipação também foi mitigada e melhoraram suas condições gerais. Casos como este são gratificantes que renovam a confiança.

Eu gostaria agora de acrescentar que as crianças gostam de usar o acumulador desde muito cedo. No início das minhas pesquisas, eu não recomendava o uso do acumulador às mulheres grávidas, já que não conhecia que efeitos a irradiação orgone poderia ter sobre o embrião e o funcionamento do útero. O primeiro experimento de irradiação orgone em uma mulher grávida foi conduzido em meu próprio lar. Sou grato a minha mulher por ter assumido o risco. Mas, como co-participante e responsável pelos trabalhos no laboratório, afirmou que estava pronta a arriscar-se, coerente como princípio de nosso instituto de que algo que se recomenda a outros deve ter sido experimentado primeiro em um de nós. O sucesso da irradiação orgone durante a gravidez foi notável. A mãe se sentiu forte e vigorosa durante toda a gravidez. A criança tinha vitalidade e o ginecologista de plantão comentou que o batimento cardíaco fetal era de uma força incomum. A criança mostra atualmente com clareza os efeitos biológicos da irradiação com orgone; é alta para sua idade e usufrui de uma saúde física extraordinária.

Sobre o uso local da energia orgone atmosférica

Podemos manter o princípio do acumulador de orgone e mudarmos sua forma, usando um tubo em vez de uma caixa. O material

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que melhor convém a este objetivo é um tubo metálico BX utilizado para proteger fiação elétrica. O tubo deve ser coberto do lado de fora por uma substância orgânica, como lã ou fita isolante, e deve-se então inserir uma das extremidades dentro de um acumulador construído da seguinte forma: uma armação de madeira com laterais de cerca de 20 centímetros de comprimento coberta externamente com Celotex e, do lado interno, com uma fina lâmina de metal, com uma mistura de palha de aço e fibra de vidro ou material não metálico similar entre a lâmina de metal e o duratex. A camada intermediária absorve a energia orgone atmosférica prontamente e a transmite com rapidez ao espaço interno fechado. Desse espaço, a energia orgone concentrada flui pelo tubo de metal. Encaixa-se um pequeno funil de metal na extremidade livre do tubo, aproximando-o da área que precisa de irradiação. Embora não haja dúvidas de que experiências futuras sugerirão muitos ajustes, costumo irradiar a mim mesmo diariamente e a outras pessoas no papel de sujeitos experimentais do seguinte modo: região cardíaca, 2 a 5 minutos; base do nariz, cerca de quatro minutos; cavidade bucal, cerca de 5 minutos, olhos com pálpebras fechadas, de meio a 1 minuto; ouvido, na altura do osso mastóide, 1 a 2 minutos; região do plexo solar, 3 minutos.

O organismo atrai energia orgone do acumulador para si e, depois de alguns minutos (a duração varia de pessoa para pessoa), surgem sensações distintas de calor e formigamento no local que recebeu a irradiação.

O interior do nariz pode ser irradiado com finos tubos de vidro de cerca de 10 centímetros de comprimento recobertos internamente de palha de aço. A parte interna da vagina pode ser irradiada de modo similar. O exame microscópico mostra que a irradiação imobiliza bactérias de putrefação depois de aproximadamente 1 minuto. Não se pode tolerar a irradiação da vagina por mais de 30 segundos; ocorre habitualmente uma sensação forte de queimadura.

Curam-se queimaduras e feridas velozmente com irradiação local de orgone e, em muitos casos, é realmente possível observar o processo de cura. Escaras também podem ser tratadas com sucesso utilizando energia orgone.

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O poderoso efeito curativo da energia orgone administrada localmente através de um tubo foi plenamente testado pela primeira vez em um homem de sessenta anos que sofria de úlceras varicosas. Ele tinha úlceras de várias profundidades e uma reação inflamatória da pele sobre as duas tíbias. Essa condição se manteve por vários anos e o homem havia sido tratado durante meses a fio em diversos hospitais, sem resultado. Ele só conseguia andar a duras penas e sua capacidade de sustentar-se (era agricultor) diminuíra consideravelmente. Economizara $ 400,00, dos quais já havia despendido $ 300,00 em tratamentos médicos e contas de hospital. Ele me ofereceu seus últimos $ 100,00 para que eu tentasse ajudá-lo. Recusei, é claro, e não prometi qualquer tipo de “cura”, porém coloquei à sua disposição um dos pequenos “aplicadores” de orgone. Na verdade, eu não alimentava esperanças quanto à sua melhora. Não houve mudança nas primeiras quatro semanas, apesar de receber irradiações de orgone várias vezes por dia. Aí as úlceras começaram a sarar. A pele ficou mais macia e, depois de mais seis sema nas, parecia normal. As duas pernas sararam. A doença tendia a retornar, mas o paciente conseguia deter qualquer lesão incipiente dos tecidos com mais irradiações intensivas. Esse pobre agricultor espalhou a história do “milagre de sua cura” por toda a região. Sua gratidão e o fato de ter recuperado a capacidade de sustentar-se foram muito recompensadores.

Esse sucesso específico foi tão comentado no Maine que, durante o verão de 1945, um jovem rapaz proveniente de Augusta veio me visitar. Também ele sofria de profundas úlceras nas pernas que, neste caso, eram secas, com margens necrosadas, áreas circundantes anêmicas e medindo cerca de 2 cm de profundidade e 3 cm de largura. Parecia um caso sem esperanças. O paciente levou um pe queno aplicador de orgone para casa e logo conseguiu determinar ele mesmo a duração correta das sessões de irradiação. Depois de apenas duas semanas, ele repetiu a viagem de 128 quilômetros para me visitar novamente. As úlceras estavam avermelhadas, separando-se da superfície, e apresentavam bastante secreção. No fundo e em volta das bordas das úlceras, podia-se observar claramente a formação de tecido regenerativo.

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Ele me escreveu quatro meses depois, informando que uma das úlceras estava curada e, na outra, a cratera havia desaparecido, embora ainda não tivesse formado nova membrana de pele.

Como as úlceras varicosas tendem a desafiar qualquer tipo de terapia, o sucesso da utilização do acumulador de orgone neste caso foi ainda mais surpreendente. Tão surpreendente quanto isso foi o fato de que os médicos que viram os resultados nada fizeram para disponibilizar o acumulador de orgone ao público. Parece que todo médico aguarda até que os outros “aceitem oficialmente o tratamento”. Essa atitude é incompreensível e perniciosa.

Neste caso específico, fiquei sabendo posteriormente que o paciente resistiu ao uso do acumulador grande, que prescrevi além do “aplicador” local. Além disso, e embora eu o tivesse precavido contra isso, continuou usando uma bandagem elástica na perna que ainda não estava curada. Percebi que, sem a carga geral do organismo através da utilização do acumulador grande, a cura local sofreria limitações.

Dores violentas também desaparecem quando se expõe a parte machucada à irradiação local com orgone. Um trabalhador empregado na construção do laboratório em Orgonon² feriu o tornozelo até o osso com um machado. A dor foi tão forte que o homem estava quase desmaiando. Irradiei a ferida imediatamente e as dores cessaram depois de dois minutos. Então fiz um curativo e ele foi levado a um médico em Rangeley para se tratar.

Também há um alívio rápido das dores no caso de queimaduras. Meu conceito sobre a natureza da dor é que os nervos autonómicos se retraem do local ferido; em outras palavras, eles literalmente “puxam” os tecidos. O desaparecimento da dor parece atribuível ao fato de que, sob a influência da energia orgone, os nervos se alongam novamente, de modo que cessa o “puxão”. É claro que me disponho a aceitar qualquer outra interpretação que explique o fenômeno melhor que eu.

2. O nome da propriedade em Rangeley, Maine, onde ficavam os laboratórios de Reich.

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Irradiação local de orgone através de bíons de terra

O antigo tratamento que fazia uso de porções de lama era realmente muito bem fundamentado: lama é terra bionosa e, portanto, rica em energia orgone. No entanto, nem sempre é fácil ter lama disponível e sua aplicação é trabalhosa e suja. Descobriu-se uma nova forma de administrar a energia biológica presente no húmus durante o Experimento XX.

Nesta preparação, obtivemos três resultados simultâneos. Primeiro, a água rica em orgone, que usamos para promover o crescimento; segundo, os flocos produzidos que congelam a água de orgone, teoricamente de importância crucial para uma compreensão da biogênese primária; e, terceiro, a própria terra bionosa. Coletamos os bíons de terra que permanecem quando a água de orgone é filtrada e os preservamos em condição seca. Então os colocamos em sacos de linho de diversos tamanhos e costuramos os sacos com eles dentro. O tratamento consiste em umedecer um desses pequenos pacotes de terra bionosa e aplicá-lo no local dolorido ou inflamado. A dor cede rapidamente e, como a energia orgone está sendo administrada externamente, poupa-se o organismo de uma determinada quantidade de esforço sistêmico, por não ter que gastar sua própria energia lidando com a inflamação no local afetado. Até agora, a experiência sugere que basta uma irradiação de 30 segundos a 1 minuto. Uma irradiação mais prolongada causa inflamação violenta em alguns pacientes e deve ser evitada. Este método de administrar energia orgone parece também relaxar espasmos locais; porém, antes de julgar adequadamente sua eficácia, é preciso realizar mais experimentos.

Ainda estão em andamento experimentos com o quarto método de administração de energia orgone, a saber, através da ingestão ou injeção de água de orgone. Porém não há dúvidas de que produz efeitos vagotônicos e acelera o crescimento de plantas e animais.

Para resumir, penso que se pode afirmar que a descoberta da energia orgone e sua aplicação médica através do acumulador de orgone, do aplicador de orgone, da terra bionosa e da água de orgone

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abriram um grande número de novas e, ao que tudo indica, excelentes perspectivas, para nossa surpresa. É claro que é preciso investigar mais para estabelecer o escopo de aplicações médicas dessa recém-descoberta energia biológica.

A orgonoterapia do câncer pode hoje afirmar ter realizado a transição de um experimento para uma ferramenta essencial de aplicação prática geral. Todavia, a prevenção do câncer é um problema bem mais complexo, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista de sua organização.

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Ficha técnica:

Reich, Wilhelm, 1897 – 1957
A biopatia do câncer; tradução Maya Hantower; revisão da tradução Anibal Mari; revisão técnica Ricardo Amaral Rego. – Sao Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. 1 edição.

Com graduação em Naturologia Aplicada, especialização em Terapia Corporal Reichiana e DMP (Deep Memory Process), realizo os atendimentos de naturologia em consultório baseado nos fundamentos da terapia corporal e em conjunto com sessões de regressão (DMP). Amo educação. Considero-a como a base para o autoconhecimento e para a saúde. Atuei com educação ambiental para crianças através de horta escolar e com projetos de revitalização cultural com o povo Mbyá Guarani, trabalhos que me deram base para entender a relação do ser humano com a natureza e universo ao qual pertence. Hoje, além de atendimentos em consultório e trabalhos com grupos de terapia, aprecio estar com a família, fazer esportes, aproveitar momentos em contato com a natureza e escrever sobre minhas reflexões nas áreas de terapia, ecologia, sustentabilidade, consumo consciente e saúde.

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