Memória corporal e estratégias de defesa criadas na infância

A memória corporal é uma de recordação ligada ao corpo que pode ou não ser percebida de forma consciente. Pode ser agradável ou desagradável e depende de como o estímulo que gerou a memória foi percebido em um primeiro momento e de como ele já foi experimentado e ressignificado durante a vida.

A memória corporal pode ser percebida quando sensações são despertadas a partir de uma memória, ou, uma memória é percebida a partir de uma sensação. Porém, memória e sensação são partes inerentes de um mesmo indivíduo e só podem ser percebidas isoladamente devido a uma dissociação interna.

Quando uma memória corporal é acionada, o corpo demonstra o que realmente está acontecendo na forma de sintomas, estados físicos e fisiológicos. Mesmo que pareça que estamos bem ou dizemos para os outros que estamos confortáveis com a nossa situação atual o corpo acaba apresentando aquilo que acontece fora de nossa consciência.

A memória corporal e a linguagem do corpo. Honestidade sem palavras

Temos a cada instante e principalmente nos momentos de crises, a oportunidade de aprender com a linguagem de nosso corpo. Estamos constantemente negligenciando os sinais, suprimindo-os com medicamentos, com atitudes que contradizem nosso modo de ser, ignorando-os e permanecendo no padrão de comportamento que os gerou. Isso não resolve nossos problemas, mas sim os agrava cada vez mais.

Com a terapia corporal podemos aprender a linguagem do corpo e seguir o que ele nos diz, tendo como resultado muitos benefícios em nossas vidas.

A memória vive no corpo

Nosso corpo tem uma lembrança. Ele guarda informações desde a vida intra uterina, passando por nossas primeiras experiências após o nascimento até nossas experiências atuais. Assim como o corpo recorda os toques dramáticos que recebe também fica guardado em nossa memória o toque acolhedor.

Os toques acolhedores

Necessitamos desse tipo de toque para sobreviver, precisamos de um mínimo de afeto e atenção para satisfazermos nossas necessidades básicas de vida. Quando bebês, somos completamente dependente de cuidados dos adultos e a satisfação de nossas necessidades básicas de vida vem através de atitudes acolhedoras de outras pessoas.

Os toques traumáticos

Por outro lado existem toques ou atitudes traumáticas. A negligência física é uma delas e pode se apresentar como um descuido ou um descaso dos pais ou responsáveis em fornecer vestuário, abrigo, alimento, auxílio médico ou supervisão apropriada à criança. Há também os casos de uma negligência mais grave onde os pais ou responsáveis colocam a criança em uma evidente situação de perigo ou violência, na qual por exemplo, pode ser molestada sexualmente, agredida fisicamente ou envolvida em abuso de drogas.

Estratégias de sobrevivência adotadas pelas crianças

Para sobreviver a essas formas de negligência e outras formas de toques traumáticos as crianças desenvolvem algumas estratégias de sobrevivência. Elas podem ser muito importantes para a fase em que são criadas mas tornam-se, em muitos casos, grandes barreiras no decorrer de suas vidas. Dentre algumas conhecidas estratégias estão a rejeição ao toque humano, uso indevido dos alimentos, necessidade exagerada de atenção, a co-dependência, a dependência passiva e a violência.

Quando a sensação de segurança, por qualquer motivo, é ameaçada, podem haver muitos traumas nas crianças. Uma forma muito intensa de ameaça a essa segurança é a agressão física que tem como consequência a geração de uma série de estratégias de sobrevivência pela criança tais como tornar-se insensível, guardar a dor ou perpetuar a violência.

O desafio libertador de conhecer e experimentar o próprio corpo

O processo de conhecer o próprio corpo é, frequentemente, um grande desafio. Tomar consciência das mais variadas sensações associadas a diferentes pensamentos, lembranças, emoções é um processo profundo e muitas vezes novo. Mergulhar de forma profunda em lugares novos dentro de nós mesmos é um desafio necessário para a ampliação da consciência, superação de conflitos e amadurecimento pessoal.

Cada uma das estratégias citadas acima possui formas específicas de serem trabalhadas através do corpo para que a pessoa possa retomar a confiança em si, na vida e ser capaz de cultivar relacionamentos saudáveis. Dependendo do tipo de mecanismo de defesa, determinados exercícios e toques são propostos para ajudar a liberar o bloqueio corporal correspondente. Clique aqui e conheça mais sobre a terapia corporal.

Você sabe que tipo de estratégia você aprendeu a usar em sua vida? Já experimentou a terapia corporal? Se tiver alguma dúvida ou alguma colocação, compartilhe através dos comentários.

Referências:

Berry, Carmen Renee. Memória corporal: o que significa a dor e como massagens e terapias podem ajudar na recuperação. Rio de Janeiro: Nova Era, 2003. 252 p

Com graduação em Naturologia Aplicada, especialização em Terapia Corporal Reichiana e DMP (Deep Memory Process), realizo os atendimentos de naturologia em consultório baseado nos fundamentos da terapia corporal e em conjunto com sessões de regressão (DMP). Amo educação. Considero-a como a base para o autoconhecimento e para a saúde. Atuei com educação ambiental para crianças através de horta escolar e com projetos de revitalização cultural com o povo Mbyá Guarani, trabalhos que me deram base para entender a relação do ser humano com a natureza e universo ao qual pertence. Hoje, além de atendimentos em consultório e trabalhos com grupos de terapia, aprecio estar com a família, fazer esportes, aproveitar momentos em contato com a natureza e escrever sobre minhas reflexões nas áreas de terapia, ecologia, sustentabilidade, consumo consciente e saúde.

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