O momento do nascimento é uma experiência única e tranformadora tanto para o bebê como para mãe e pai. É um marco, que dá início a uma nova forma de encarar e enxergar a vida e todas as relações que a permeiam. Michel Odent, um renomado obstetra francês, citou em uma de suas maravilhosas obras que "para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer", e também incluiu em suas pesquisas no livro "A Cientificação do amor", a importância e a relação do hormônio ocitocina, um dos maiores responsáveis por todo o processo de parir, o qual nomeou de hormônio do amor. Isso porque em todos os momentos em que tal hormônio é liberado (relação sexual, parto, amamentação, olhar entre casais e entre pais e filhos...), o sentimento que está por trás é o AMOR.
Daí observa-se a grande necessidade de valorização e humanização do parto, o qual foi distorcido durante muitos anos e esquecido nas suas qualidades e potencialidades. O olhar diante deste momento de tanto amor, foi esquecido, enfatizando-se somente os aspectos negativos. Um olhar negativo do parto e das sensações e reações que o rodeiam como a dor, a liberação de conteúdos expressada das mais variadas formas tomou adjetivos vulgares e nada admiráveis.
Com o objetivo de resgatar os conceitos valiosos e os poderes mais que femininos, na verdade familiares, para com o nascimento e por um grande amor a esse lindo processo de gestar e parir, que surgiu a proposta de acompanhamento de toda a gestação, do trabalho de parto e do parto, por profissionais com uma visão mais abrangente do ser humano e de todas as relações que dele (ser humano) fazem parte. No Vida Porã, tais profissionais são representados pelas doulas, pelos naturólogos e pelas parteiras que realizam este trabalho específico com parturientes, juntamente com psicólogas e pediatras da parceria com o Grupo Samaúma.
Este trabalho de acompanhamento do trabalho de parto e parto é realizado de várias formas. Uma delas é o acompanhamento domiciliar, que pode acontecer tanto integralmente em domicílio, no caso de um parto domiciliar, como somente durante o trabalho de parto e posteriormente, na hora do parto propriamente dito, no ambiente hospitalar, conforme a escolha de cada casal. Outra opção é o acompanhamento de todo o trabalho de parto e parto no ambiente hospitalar, tanto em hospitais com estruturas para um parto mais humanizado, como em outros sem estrutura específica para este tipo de trabalho. Afinal o acompanhamento pode ser feito em qualquer local, desde que seja da escolha do casal e que se tenha liberdade de atuação nos locais escolhidos para o parto.
É importante citar que o parto e todo o seu contexto são incentivados, neste trabalho, para que o casal e principalmente a parturiente tenha liberdade de expressão e movimentos, pois o fato de a mulher poder tornar-se empoderada de seu próprio corpo, facilita o trabalho de parto. Por isso, não importa, neste caso, o tipo de parto que irá acontecer (parto na água, parto de cócoras...), mas sim o tipo de parto que foi sentido e necessário naquele momento. Muitos casais idealizam o parto de uma forma e muitas vezes no momento do nascimento, sentem a necessidade de estar em outro local, ou em outra posição. E essa escolha deve ser valorizada, já que é a leitura corporal feita no exato momento do nascimento, geralmente é necessária pela posição em que se encontrava o bebê, facilitando o decorrer de todo o processo de parir.